Teófilo Otoni Atinge Bons Resultados No Estado Na área De Vigilância Ambiental

Teófilo Otoni atinge bons resultados no Estado na área de Vigilância Ambiental

Segundo o coordenador do setor no município, notificações de dengue, zika, chikungunya e febre amarela foram reduzidas, com destaque para leishmaniose visceral, com nenhum registro em 2017.

 

A área de Vigilância Ambiental tem como universo de atuação os fatores ambientais de riscos que interferem na saúde humana e as inter-relações entre o homem e o ambiente. Na Prefeitura de Teófilo Otoni, os trabalhos desenvolvidos nessa área são coordenados, desde agosto de 2016, por Joaniz Lopes de Oliveira. Funcionário público desde 2005, Joaniz é graduado em Farmácia Generalista, possui Especialização em Gestão pública e Epidemiológica com ênfase em PSF. É especialista em Atenção Farmacêutica e cursa Especialização em Vigilância em Saúde pelo Instituto Sírio Libanês. Tem experiência profissional em Saúde Pública através de atividades desenvolvidas como fiscal farmacêutico no Setor de Vigilância Sanitária da Prefeitura Municipal. Nesta entrevista à Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni (ASCOM), Joaniz fala sobre as ações desenvolvidas pela Vigilância Ambiental no município desde o início da gestão atual.

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Ascom: Qual o papel do Setor de Vigilância Ambiental?

 Joaniz: Hoje em dia, levando-se em conta a posição de destaque da cidade de Teófilo Otoni frente aos 32 municípios que compõem nossa microrregião, o papel principal  é servir de exemplo. A área da Vigilância Ambiental em Teófilo Otoni trabalha hoje com alguns programas do Governo Federal, tais como o Vigiapp, que é a Vigilância de Acidente por Produtos Perigosos, o Vigiágua, relacionado à análise da água fornecida pelas empresas aqui na cidade, e o Vigisolo, que se trata da vigilância da contaminação de solos. Além disso, a Vigilância Ambiental contempla o Setor de Endemias, responsável pelo combate às arboviroses urbanas,  como dengue, zika, chikungunya, febre amarela e leishmaniose humana, e o Setor de Zoonoses, que trabalha no combate à raiva e à leishmaniose canina.

 

Ascom: Quanto às arboviroses, qual o cenário atual do município no combate a essas doenças?

 Joaniz: Nos últimos seis meses, conseguimos inutilizar o Canil Municipal que funcionava no bairro São Cristóvão, por não atender às normas sanitárias, sendo que o novo espaço para abrigo de cães vai funcionar a partir do dia 21 de julho, junto à sede da 15ª Cia PM Ind MAT, no Jardim Serra Verde. Além de ser uma promessa de campanha do prefeito Daniel Sucupira, a reestruturação do Canil é uma promessa de saúde porque nós conseguimos também, junto a isso, reduzir os casos de leishmaniose visceral. Em 2016 foram registrados óbitos por essa doença no município. Neste ano, temos o prazer de informar que não foi registrado nenhum caso. Já a leishmaniose tegumentar (doença infecciosa, não contagiosa, transmitida por diversas espécies de protozoários do gênero leishmania, que acometem o homem e provocam úlceras na pele e nas mucosas das vias aéreas superiores) apresentou-se em três ocasiões. Então, considerando que pertencemos a  uma microrregião composta por 32 municípios, isso é um grande ganho para Teófilo Otoni.

 

Ascom: Como se apresenta a leishmaniose visceral?

 Joaniz: Esta doença é transmitida pelo vetor que costumamos chamar de longipalpis, mais conhecido pela população como mosquito-palha. Esse mosquito sobrevive onde tem material orgânico e putrefação, como folhas, frutas, árvores. No período de reprodução, a fêmea procura sangue. Então ela pica o cachorro, contaminando-o, e esse animal serve de reservatório para o vírus. O mosquito, ao picar o cachorro e o ser humano, transmite o vírus. A leishmaniose visceral é perigosa, uma vez que atinge os órgãos internos, podendo levar ao óbito do ser humano.

 

Ascom: E em relação à zika, dengue e chikungunya, que tem assolado tanto a população não só de Teófilo Otoni, mas de todo Brasil, como está o combate a essas doenças em Teófilo Otoni, ao longo desses seis primeiros meses da gestão atual?

 Joaniz: Nesse período em questão não podemos dizer que a situação está tranquila porque temos que estar sempre em atenção, em vigilância, mas diante da realidade que nos cerca, Teófilo Otoni  está bem. Primeiro por causa das ações que foram efetivadas. Foram contratados 28 servidores que complementaram a equipe do Setor de Endemias, foram adquiridos veículos para o setor, e ainda foram adquiridas bombas através de convênio com a Superintendência Regional de Saúde para se fazer o bloqueio vetorial químico. Isso possibilitou uma queda no número de notificações no município. Fizemos também convênio com vários laboratórios da região para análise dos casos suspeitos de doenças transmitidas pelo aedes egypti. As pessoas que tem apresentado sintomas parecidos com os causados por dengue, zika ou chikungunya que tem procurado uma unidade básica de saúde, são encaminhadas para um posto ou laboratório para coleta de sangue. Esse material é encaminhado para análise. Teófilo Otoni apresenta atualmente 2.836 notificações de chikungunya, mas apenas 630 casos confirmados laboratorialmente. Considerando a população local, que é de 141.046 habitantes, trata-se de um número expressivo e significa que a prefeitura está conseguindo fazer um trabalho de grande porte. No dia 30 de junho deste ano terminamos o terceiro tratamento focal. Teófilo Otoni  atingiu a meta de 97%. Isso significa que nós visitamos mais de 64.000 imóveis. Destes, 2.228 se encontravam fechados, e a partir de um trabalho que fizemos, conseguimos resgatar 2.034 imóveis. No combate às arboviroses, a Secretaria Municipal de Saúde conta com os agentes de campo, a equipe que faz os mutirões bairro a bairro, a equipe que faz a educação permanente, que é o trabalho de mobilização social chamado Escola Participativa, desenvolvido em conjunto com a Unimed e as Secretarias Estadual e Municipal de Educação. No mês de maio, o Escola Participativa foi feito num educandário no bairro São Cristóvão, e em junho levamos o Projeto para a Lajinha, com retirada de oito toneladas de materiais recicláveis levados pelos estudantes. Também coletamos mais de 10 toneladas de pneus, os quais foram destinados para uma empresa de reciclagem, em Belo Horizonte. Então, esses convênios que o município vem fazendo tem reduzido os riscos à população, e consequentemente, possibilitado um grande salto na qualidade de vida dos teófilo-otonenses.

 

Ascom: E quanto ao trabalho feito em relação aos animais peçonhentos?

 Joaniz: Pelo período que estamos passando, costumamos falar que estamos tendo um boom. Nos últimos seis meses tivemos em Teófilo Otoni 224 acidentes com animais peçonhentos. E o animal de maior preocupação é o escorpião. Fizemos um trabalho de limpeza junto com a Secretaria de Serviços Urbanos na Rua Três, no São Jacinto, onde tiramos de um único local 8 caminhões de entulhos jogados pela população. E junto a esse entulho tinha 113 escorpiões que capturamos vivos e enviamos para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), que atua no campo da saúde pública no Estado de Minas. Costumamos dizer que a população é nosso maior problema hoje quanto se trata de animais peçonhentos. Digo isso porque muitas pessoas ainda tem o hábito de manter próximo de casa entulhos, restos de materiais, madeiras, e todos esses objetos atraem o animal para junto das  residências. O escorpião sobrevive comendo pequenos insetos. Então se você tem o hábito de manter lixo exposto, isso vai propiciar o surgimento de barata, que é o principal alimento do escorpião. Mas, a prefeitura adquiriu materiais para combate e prevenção desses animais, temos feito dedetização permanente, como na UFVJM, no Internato Rural, em escolas e, em certos casos, em residências de famílias de baixo poder aquisitivo. Enfim, estamos trabalhando diuturnamente para evitar acidentes com animais sinantrópicos no nosso município.

 

Joaniz conta sobre os relatórios e estatísticas registrados pela Vigilância Ambiental em Teófilo Otoni

Ascom: Joaniz, conte um pouco agora sobre os relatórios e estatísticas registrados pela Vigilância Ambiental em Teófilo Otoni?

 Joaniz: O Setor de Vigilância Ambiental, cumprindo o compromisso que tem junto ao Estado de Minas, está fornecendo mensalmente ao governo estadual os boletins epidemiológicos sobre o trabalho que   está sendo feito no município. Temos orgulho em dizer que nos últimos 60 dias já mandamos dois comitês de mobilização social. O Governo de Minas tem divulgado nossos informes mostrando que o município de Teófilo Otoni está realizando um trabalho de grande valia. O último boletim de mobilização foi referente à atuação do Setor de Endemias junto às populações vulneráveis que margeiam a BR-116. Hoje nós temos cerca de 40 famílias que sobrevivem em áreas de beira de mata, sem água, sem luz, enfim, em condições de risco à saúde.  Um agente de endemias da prefeitura de Teófilo Otoni vai a esses locais, faz o tratamento de larvicidas na água que eles utilizam, faz também o trabalho de triatomídeos, ou seja, a busca pelo barbeiro, para evitar a Doença de Chagas nesses moradores.

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